quinta-feira, 17 de outubro de 2013

V ANIVERSÁRIO DO GRÃO-MESTRE

Pavilhão do Grão-Mestre D. Carlos de Bourbon - Marquês de Almazán e 49º Grão-Mestre
 
D. Carlos de Bourbon – Marquês de Almazán, celebra este ano o 5º aniversário da sua nomeação como 49º Grão-Mestre da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém.
D. Carlos de Bourbon - Marquês de Almazán e 49º Grão-Mestre
 
Por motivo desta data, enviou-nos uma carta que iremos transcrever de seguida. No entanto antes da sua exposição, não podemos deixar de tecer umas palavras introdutórias, a uma figura que em cinco anos escreveu as linhas mais significativas desta nossa Ordem.
D. Carlos de Bourbon com o Manto da Ordem de São Lázaro, numa Cerimónia Oficial acompanhado por um representante da Ordem de La Merced e da Ordem de Malta
 
Quaisquer palavras que tentem descrever D. Carlos de Bourbon, serão sempre insuficientes, para apresentar um Cristão convicto, disposto e sempre acessível ajudar na mais ínfima solicitação que lhe é dirigida.
49º Grão-Mestre D. Carlos de Bourbon - Marquês de Almazán e o Grão-Mestre Emérito D. Francisco de Bourbon - Duque de Sevilha e Grande de Espanha 
 
Quem assiste a uma Investidura na sua presença, sente a fé que lhe percorre as veias, o seu olhar transmite a responsabilidade que lhe assiste como 49º Grão-Mestre de uma Ordem com mais de 900 anos de história, mas quando tece palavras que descrevam o apoio social que esta Instituição tem realizado por todo o mundo, expõe por completo a sua vocação orientadora e motivadora de ajudar a quem mais necessita. Consegue-se deslumbrar o brilho dos seus olhos, a emoção que lhe envolvem as palavras e sem se aperceber, o exemplo que todos devemos seguir. Dirige com o seu coração uma Ordem difundida por todos os continentes, fazendo-o viajar constantemente com um sorriso que muito o carateriza, e sempre com a sua dinâmica e boa disposição.    
D. Carlos de Bourbon assina o Livro de Honra na Sede do Grão-Priorado de Portugal
 
No passado mês de Maio deste mesmo ano, D. Carlos de Bourbon – Marquês de Almazán, o Conde de Campo Alange e Marquês de Torre-Manzanal, visitaram a nossa sede em Portugal. Já no mês anterior, D. Carlos de Bourbon comentava-me durante as cerimónias que se realizaram na Sede da Ordem na ilha de Malta, que estava ansioso para visitar a nossa nova sede em Portugal. A normal preocupação logística da sua visita há nossa nova sede do Grão-Priorado de Portugal, era minimizada pelas suas palavras, dizendo-me que gostaria que fosse uma visita sem grandes formalismos. Na entrada da sede do Grão-Priorado de Portugal, existem dois mastros com as respetivas bandeiras da Ordem e do Priorado e recordo-me como se fosse hoje o seu sorriso interior, percorrendo logo de seguida todas as divisões da Quinta e ouvindo as histórias da propriedade e dos novos projetos, detendo-se uns minutos quando entrou na Capela e deslumbrou a Cruz da Ordem no altar. Parecia que se estava a sentir em casa.
D. Carlos de Bourbon numa Cerimónia Oficial da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém na Catedral de Santiago de Compostela 
 
Sempre atento á responsabilidade social da Ordem, viu uma das instituições que o Grão-Priorado de Portugal apoia, e rapidamente a enquadrou com as suas palavras com as demais iniciativas dos outros países. Nas suas palavras sentia-se a grande Família que somos.
D. Carlos de Bourbon - Marquês de Almazán, com o seu primo - Sua Majestade o Rei de Espanha D. Carlos de Bourbon e a Rainha Sofia
 
E este é o compromisso que D. Carlos de Bourbon, 49º Grão-Mestre da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém transporta em si, a preocupação constante em ver o funcionamento da Ordem, de motivar para a continuação desta obra, salientando sempre os dois pilares fundamentais desta caminhada, a fé e o apoio aos mais necessitado.
D. Carlos de Bourbon numa Cerimónia Oficial na Academia Militar de Valladolid com o atual Diretor Geral da Academia de Cavalaria, o General de Brigada D. Andrés Chapa Huidobro 
 
Serão sempre poucas as palavras para tecer a personalidade e bondade do nosso Grão-Mestre, mas nunca serão poucas as palavras de agradecimento a Deus Nosso Senhor por nos ter colocado D. Carlos de Bourbon na chefia desta nossa Ordem.  
D. Carlos de Bourbon na Catedral de Manchester na Cerimónia Oficial da Proclamação como 49º Grão-Mestre da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém  
 
Mas o momento que nos leva a escrever estas palavras, foi o dia 13 de Setembro de 2008. Na majestosa e emblemática Catedral de Manchester, sobre um mar de mantos pretos com a cruz verde, fazendo-se entoar as orações como cânticos gregorianos, a solenidade do momento ditava a oficial proclamação de D. Carlos de Bourbon – Marquês de Almazán, como 49º Grão-Mestre da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém.
Jantar de Beneficência da Ordem de São Lázaro em Marbella, D. Francisco de Bourbon - Duque de Sevilha, D. Carlos de Bourbon - Marquês de Almazán, D. Carlos Fitz-James Stuart - Duque de Huéscar (filho da Duquesa de Alba)
 
D. Carlos de Bourbon tinha sido eleito no dia anterior de acordo com os regulamentos estabelecidos por uma Ordem não dinástica como a de São Lázaro, através da eleição dos seus Cavaleiros. Foram muitas as jurisdições da Ordem presentes, que através dos seus firmes e convictos votos elegeram com mais de oitocentos votos contra dezoito, um dos membros do ramo da Casa Bourbon-Sevilha. A tradição mantinha-se.
Documento da Secretaria do Real Conselho das Ordens da Casa Real Espanhola, Santiago, Calatrava, Alcântara e Montesa
 
Foram imediatas as manifestações internacionais de alegria e felicitação pela sua eleição, não só pelos Cavaleiros e Damas Lazaristas como também do seu próprio país, transmitida a 28 de Outubro desse mesmo ano num documento oficial do Secretariado das Ordens Dinásticas da Casa Real Espanhola, “Ao Exmo. Sr. D. Carlos Gereda de Bourbon, Marquês de Almazán, Grão-Mestre da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém, e em nome do Real Conselho das Ordens Militares de Santiago, Calatrava, Alcântara e Montesa, e pelo seu Presidente, S.A.R. D. Carlos de Bourbon Duas-Sicílias e Bourbon-Parma, Infante de Espanha, transmite-lhe a mais cordial e sinceras felicitações pela sua nomeação, e aproveita o momento para lhe desejar os maiores êxitos á frente da Ordem”, terminando este oficio com “aproveitando esta ocasião para oferecer-lhe o testemunho da sua mais alta consideração”
D. Alberto de Bourbon - II Duque de Santa Helena e Grande de Espanha
 
D. Carlos de Bourbon, Marquês de Almazán e 49º Grão-Mestre da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém, nasceu em Montevideo no ano de 1947 e é casado com Dona Maria de Las Nieves Castellano e Barón (filha de D. Jaime de Castellano y Mazarredo e de D. María Blanca Baron e Osório de Moscoso, XIV Marqueses de Almazán, XII Marqueses de Montemayor, V Marqueses de Montemolin, XXIV Condes de Priogo, XXI Condes de Trastamara, Condes de Monteagudo de Mendoz, Conde de Santa Maria e Conde de Vallehermoso). 
D. Alberto de Bourbon - I Duque de Santa Helena e Grande de Espanha
 
D. Carlos de Bourbon é filho de D. Nicolas Gereda e Bustamente (filho de D. Nicolás Gereda y Velarde e de D. Margarita Bustamante y Pinto), e de D. Maria Luísa de Bourbon que é filha de D. Alberto Maria de Bourbon, Grande de Espanha e II Duque de Santa Elena, e de D. María Luisa Pinto e de Lecanda, Dama da Real Irmandade do Santo Cálice de Valencia.
O seu avô aqui referido, D. Alberto Maria de Bourbon - II Duque de Santa Elena, é filho de D. Alberto Maria Henrique de Bourbon, Grande de Espanha, I Duque de Santa Elena, Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro, Grã-Cruz da Ordem Militar de São Hermenegildo, Grã-Cruz da Ordem de São Bento de Avis - Portugal, Grã-Cruz de Mérito Militar, Comendador da Ordem Carlos III, Tenente General de Cavalaria, Capitão General de Valladolid e Canárias, etc; casado com D. Margarida Josefina d´Ast de Nouvele e Castellvi (filha de D. Louis Hélène Oscar d' Ast - Conde de Novelé e de D. Francisca de Paula de Castellví e Shelly-Fernandez de Cordoba).
S.A.R. o Infante D. Henrique de Borbon - I Duque de Sevilha e Grande de Espanha 
 
O seu bisavô, I Duque de Santa Elena, é filho de S.A.R. o Infante D. Henrique Maria Fernando Carlos Francisco Luís de Bourbon e Bourbon Duas-Sicílias – I Duque de Sevilha, Cavaleiro do Tosão de Ouro, etc.; e de D. Elena Maria de Castellvi e Shelly (filha de D. António de Padua de Castellvi y Fernandez de Cordoba e de D. Margarita Shelly de MacKarty - XII Condes de la Villanueva, X Condes de Castellá e VIII Condes de Carlet). 
S.A.R. o Infante D. Francisco de Bourbon e Bourbon Parma - Duque de Cádiz, Rei Consorte de Espanha (casado com Sua Majestade a Rainha Isabel II de Espanha)
 
O seu trisavó, S.A.R. o Infante D. Henrique Maria Fernando Carlos Francisco Luís de Bourbon e Bourbon Duas-Sicílias – I Duque de Sevilha, é filho de S.A.R. o Infante D. Francisco de Paula António de Bourbon y Bourbon-Parma – I Duque de Cádiz, Cavaleiro do Tosão de Ouro etc. ; e de S.A.R. D. Luisa Carlotta de Bourbon – Princesa das Duas-Sicílias (filha de Sua Majestade El-Rei D. Francesco I e de S.A.R. a Infante de Espanha D. Maria Isabel de Bourbon, filha de Sua Majestade El-Rei Dom Carlos IV de Espanha, Irmã do Primeiro Duque de Cadiz).
Sua Majestade El-Rei D. Carlos IV de Espanha
 
O seu quarto avô, S.A.R. o Infante D. Francisco de Paula António de Bourbon y Bourbon-Parma – I Duque de Cádiz é filho de Sua Majestade El-Rei D. Carlos IV de Espanha e de S.A.R. a Princesa Maria Luísa de Bourbon e Parma (filha de S.A.R. o Infante Dom Filipe I – Duque de Parma e de S.A.R. a Princesa Louise-Élisabeth de Bourbon - Princesa de França). 
Sua Majestade El-Rei D. Carlos III de Espanha
 
Continuar a genealogia do 49º Grão-Mestre da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém – D. Carlos de Bourbon, seria enunciar um mar sem fim de nomes relacionados com as grandes Casas Reais Europeias, no entanto, e reconhecendo o valor histórico e patrimonial que representa, os seus valores humanos e cristãos, sempre atento e dedicado às causas humanitárias, são a sua marca, tornando-se para todos os Lazaristas um exemplo a seguir.
D. Carlos de Bourbon - Marquês de Almazán no momento da imposição da insígnia de Grã-Cruz a S.A.I.R. o Arquiduque Andrés Salvador de Habsbourg e Lorraine - Arquiduque da Áustria, Príncipe da Hungria, Boémia e Toscânia e o Grão-Mestre Emérito D. Francisco de Bourbon - Duque de Sevilha e Grande de Espanha
 
D. Carlos de Bourbon, neste seu 5º aniversário como Grão-Mestre, não podemos deixar de manifestar o nosso profundo agradecimento por se entregar com todo o seu coração a esta nossa Ordem, aparecendo nestes últimos 5 anos como um exemplo a seguir para todos os Cavaleiros e Damas desta Ordem. Que Deus Nosso Senhor o conserve por muitos anos, pois estes seus Cavaleiros e Damas, muito o necessitam.  
CARTA ENVIADA POR D. CARLOS DE BOURBON – MARQUÊS DE ALMAZÁN
49º GRÃO-MESTRE DA ORDEM MILITAR E HOSPITALAR DE SÃO LÁZRO DE JERUSALÉM
 
Madrid, October 16, 2013
 
Dear Confreres and Consœurs,
 
The past month of September was the 5th anniversary of my installment as Grand Master.
These years have been hard work, but with the very valuable help of all the members of our Order, from the Grand Officers and Heads of Jurisdictions to the newest member, we have managed to go a long way forward. The governing bodies of our Order have helped steer us to a better position.
 
The Order today has new Jurisdictions and some of the old ones are unified or in the process of harmonization. The Spiritual life of the Order has been placed in the forefront of our minds, and the Hospitaller activities are growing in quantity and quality all around. Moreover the awareness, by all, of these activities through the jurisdictional Hospitaller reports is having a multiplying effect. Finally, our Order is gaining more and more recognition because of our spiritual and charitable actions which is the primary reason for us to be acknowledged. 
 
So I wish to congratulate each and every one of the members of the Order who have contributed with enthusiasm and personal sacrifice to realize the goal, not always easy, of helping those in need. One of our signs of identity is our charity, the love of our neighbours that comes from our love of Christ.
 
I have said several times during these years that an Order of Christian Chivalry is neither a democratic society nor a corporation that bestows awards to vanity. An Order of Chivalry such as our Order of Saint Lazarus is above all a personal commitment with our Lord, with the Ecumenism that characterizes us and with the protection of the weak and needy. Chivalry is also the way of learning that requires a high system of values to promote generosity, honour and justice in today’s world.
 
The Order needs to cultivate the values of sacrifice, discipline, and obedience to serve as an example to society which strays apart more and more from the Christian ideals. To serve Christ, with the devotion to Saint Lazarus, must be an objective for each and every one of us. I convey this to you once again.
 
As in the past, we must rely on our prayers. In the times of tribulation in which we live, prayer is the fundamental vehicle of communication with the Lord. In these prayers, please remember our brethren suffering persecution because of their faith, particularly in the Middle East.  Let us pray specifically for the intentions and protection of our Spiritual Protector, H.B. Gregorius III.
 
I look forward to working with all of you to realize a very promising, dynamic future for our Order.
 
Atavis et Armis,
 
Carlos Gereda de Bourbon - Marquis of Almazán

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

SOLENE INVESTIDURA

Estar presente numa Investidura do Grão-Priorado de Espanha da nossa Ordem, é presenciar uma tradição com centenas de anos, na companhia de famílias que pertencem há várias gerações a esta instituição. No entanto ainda se acrescenta a todo este simbolismo, a cidade  medieval de Toledo, tornando-se tudo num cenário perfeito para a velada-de-armas que teve início no dia 4 de Outubro. Foi uma cerimónia íntima, de preparação para o compromisso que todos os futuros Cavaleiros e Damas iriam assumir no dia seguinte.
Duque de Sevilha, Marquês de Almazán, Marquês de la Lapilla e Marquês de Armunia
 
O Mestre-de-Cerimónias, D. Manuel Tourón y Yebra, orientava com a sua voz os futuros Irmãos Lazaristas, recordando a história novecentista da Ordem, a importância da Fé, do compromisso de lealdade com a Ordem e um eterno desejo de ajudar a quem mais necessita. É difícil descrever o que percorre no espirito de cada Postulante, mas a certeza dos seus olhares não deixava qualquer dúvida sobre os seus desejos.
Toledo
 
É efetivamente uma das cerimónias mais simbólicas de uma investidura, preparando-lhes o espírito e a alma para o compromisso que viria no dia seguinte.
O Grão-Priorado de Portugal não podia deixar de estar presente ao convite do Grão-Priorado do país vizinho.
Apesar de hoje em dia os e-mails e o facebook minimizarem a distância, o encontro entre Irmãos Lazaristas tem outro “sabor”. Os sorrisos inundavam o átrio da receção do hotel, o espanhol mistura-se com o inglês e o alemão, as lembranças são trocadas demonstrando o espírito de profunda e verdadeira amizade que existe entre todos.
Cerimónia de abertura
 
Este era o espírito que se respirava às 19 horas do dia 5 de Outubro no átrio do Hotel, o qual só foi quebrado pelo sinal de partida do transporte que nos levaria até á Igreja São Sebastião.
 
O hotel ficava um pouco distante do centro da cidade, o que permitiu deslumbrar todo o encanto da cidade de Toledo, cercada por uma muralha, em que cada pedra parece contar uma história, batalhas lendárias que estão relatadas no museu militar do Alcázar. O Alcázar é um edifício imponente, que se distingue dos que o rodeiam pela sua dimensão e localização, mas de repente surge a Porta de Bisagra com as imponentes Armas de Castela, Leão e Granada sobre uma águia bicéfala e tudo isto rodeado pelo colar do Tosão de Ouro; de repente a Porta do Sol e sem nos apercebermos como surge a Ponte de Alcántara, do outro lado um castelo e um imensurável número de edifícios que me levariam a escrever linhas sem fim. E assim se chegou á Igreja de São Sebastião, que já foi uma antiga Mesquita de Al-Dabbagin, de estrutura retangular, com arcos de tijolo antigo que suporta um lindíssimo teto trabalhado em madeira. Ainda se sentia os pequenos detalhes de uma mesquita que tinha sido conquistada pelos Cristãos e transformada em Igreja Católica, onde no seu altar sobressai a figura do mártir São Sebastião, cravado de setas. 
Mestre de Cerimónias - D. Manuel Tourón y Yebra, Capelão, Duque de Sevilha, Marquês de Almazán, Marquês de la Lapilla e Marquês de Armunia
 
Na chegada á Igreja de São Sebastião, as pessoas rapidamente colocaram o seu manto e o semblante adaptou-se ao momento que se irá seguir.
Numa fração de minutos estão todos nos seus devidos lugares, o coro entoa por entre os arcos e relembra tempos longínquos. O estandarte com as Armas Reais de Espanha abre o cortejo. Sobre as cadeiras vêm-se mantos negros com a Cruz Lazarista, os quais enchem por completo a Igreja, e vive-se mais um momento que fará parte da história da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém. Atrás do estandarte o Mestre-de-Cerimónias, de seguida o estandarte da Ordem, do Grão-Priorado de Espanha, Membros do Conselho e Governo, Chefes de Jurisdições, Membros do Grã-Conselho-Magistral, a Espada, o Grão-Mestre e o Grão-Mestre Emérito, o Pavilhão do Grão-Mestre e o Clero. 
Membros do Conselho do Grão-Priorado de Espanha, o Grã-Custódio - Stepaham Henhalp e o Rei-de-Armas do D. José María Montells - Visconde de Portadei
 
Nesta cerimónia estão presentes as mais altas individualidades do Grão-Priorado de Espanha. Suas Excelências o Grão-Prior D. Juan Pedro de Soto Martorell – XVII Marquês de la Lapilla Grande de Espanha (filho dos Duques de Escalona, de Almenara Alta, Marqueses de Albranca, Monasterio, Paredes, Villena e Condes de Darnius), o Prior de Espanha D. Ivan de Arteaga del Alcazar – XVI Marquês de Armunia (filho dos Duques do Infantado, Marqueses de Ariza, de Cea, de Laula, de Tavara, de Valmediano, Conde de la Monclova, de Santiago, e de Real de Manzanares), o Coadjuntor e Comendador de Castela D. Francisco de Bourbon e Hardenberg (filho do Duque de Sevilha e da Condessa de Hardenberg), D. Francisco de Borja Castellano y Salamanca Conde de Campo Alange e Marquês de Torre-Manzanal, o Rei de Armas do Priorado de Espanha, o nosso querido amigo D. José Maria Montells – Visconde de Portadei, etc, etc.
General Serrano Rioja
 
Presidiram á cerimónia o nosso 49º Grão-Mestre D. Carlos de Bourbon – Marquês de Almazán, e o Grão-Mestre Emérito D. Francisco de Bourbon – Duque de Sevilha e Grande de Espanha.
Comendador de Castela - D. Francisco de Bourbon e Hardenberg
 
O Mestre-de-Cerimónias D. Manuel Tourón y Yebra dá início á cerimónia entre o silêncio da Igreja de São Sebastião. Dirige-se aos Postulantes recordando o compromisso que iriam assumir, os valores em que devem viver, a responsabilidade que lhes irá assistir. O Sacerdote recorda “o Amigo de Jesus” – São Lázaro, salientando a todos os presentes que também devemos ser Amigos de Jesus, que devemos alimentar na oração essa amizade, esse diálogo.
 
São chamados um a um perante o Grão-Mestre D. Carlos de Bourbon – Marquês de Almazán, que os torna Cavaleiro ou Dama. O primeiro foi o General Serrano Rioja, que depois de ser investido, o Grão-Prior de Espanha o Marquês de la Lapilla impõe as insígnias e de seguida o manto. O Padrinho acompanha sempre o Postulante que agora já se tinha tornado Cavaleiro da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém.
Grão-Mestre Emérito D. Francisco de Bourbon - Duque de Sevilha e Grande de Espanha
 
Entre cânticos e palavras de compromisso, a cerimónia segue os rituais que ao longo dos séculos definem a Ordem de São Lázaro. Estão também representadas a Ordem Constantiniana de São Jorge, a Maestranza de Castilha, a Ordem da Águia e da Túnica de Nosso Senhor Jesus Cristo da Casa Real da Geórgia, a Divisa de São Miguel o Tramaturgo, a Irmandade de Cavaleiros da Custódia de “Lignum Crucis de Santo Toribio de Liébana” por D. José María de Mazarrasa y de la Torre, etc.
 
O final da cerimónia termina com a procissão, repleta de sorrisos e abraços. Possuímos mais Irmãos Lazaristas.
Sua Excelência o 49º Grão-Mestre D. Carlos de Bourbon - Marquês de Almazán
 
O cocktail no hotel liberta o formalismo da cerimónia eucarística, e o jantar-de-gala um convívio inesquecível. O Grão-Prior de Espanha Sua Excelência o Marquês de la Lapilla profere no final da refeição umas palavras, seguidas da entrega de diplomas e terminada com as palavras do nosso 49º Grão-Mestre D. Carlos de Bourbon – Marquês de Almazán, agradecendo a presença de todos e relembrando as intervenções cívicas que o Grão-Priorado de Espanha tem realizado, dando o exemplo de “toda la ayuda es poca” (uma das grandes iniciativas do Grão-Priorado de Espanha.
 
Grão-Prior de Espanha - Marquês de la Lapilla
 
Não podia terminar esta cerimónia sem um Baile-de-Gala, que durou pela noite dentro.
Tornar-se membro da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém, sem dúvida que é pertencer a volume histórico de grande relevância, no entanto uma Investidura é um momento de compromisso, de juramento e responsabilidade. Um compromisso como Cristãos perante Deus Nosso Senhor, um juramento assumido perante todos os Irmãos Lazaristas e uma profunda responsabilidade de ajudar o próximo. E esta ultima é o verdadeiro espírito de qualquer Cavaleiro ou Dama desta Ordem. Estarmos disponíveis num espírito Cristão, a ajudar os que mais necessitam, porque somos todos filhos de Deus e todos Irmãos.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

CERIMÓNIA COM HONRAS MILITARES NOS USA

O Cemitério Nacional de Arlington, localizado na Virgínia, é o mais conhecido Cemitério Militar dos Estados Unidos. Está situado de frente para Washington D.C., do outro lado do Rio Potomac, cortando assim a capital americana, ficando junto ao edifício do Pentágono.
Estão sepultados neste cemitério mais de 300 mil veteranos de guerra, desde a revolução americana até aos dias de hoje, encontrando-se também figuras de alto realce na história deste país, tais como o Presidente John Kennedy e o seu irmão o Senador Robert Kennedy, o explorador John Wesley Powell, os astronautas da nave espacial Challenger, os Generais Omar Bradley e Jonathan Wainwright da Segunda Guerra Mundial, etc.
Nunca nenhuma Ordem de Cavalaria Cristã tinha depositado em cerimónia oficial e com as devidas honras militares, uma coroa de flores no monumento deste Cemitério Militar, até ao passado dia 4 de Setembro.
Foi numa cerimónia oficial que no passado dia 4 de Setembro, com honras militares, que o nosso 49º Grão-Mestre D. Carlos de Bourbon – Marquês de Almazán, envergando o nosso Manto com a nossa Cruz da Ordem, depositou uma coroa de flores da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

ORAÇÃO

A hora de almoço estava a ser acompanhada por um sol aterrador no dia 5 de Outubro na cidade de Toledo. Esta cidade repleta de história, iria acolher mais uma Solene Investidura de Cavaleiros e Damas da nossa Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém, organizada pelo Grão-Priorado de Espanha.
A “regra” destas iniciativas, promove que almoços e jantares entre Irmãos Lazaristas seja uma constante antes das cerimónias, preenchendo assim o espirito de profunda amizade que existe entre aqueles que pertencem a esta grande Família. E sem nunca fugir á “dita regra”, estava marcado como ponto de encontro para um grupo de amigos, às 13 horas na receção do hotel.
Apesar dos meios informáticos atuais permitirem que a distância entre amigos seja reduzida através de e-mails e facebook, o encontro físico trás um imenso sorriso e uma grande satisfação de reencontro, que é insubstituível.
A seguir aos abraços, um eterno amigo espanhol, retira do seu bolso uma pequena pagela e diz-me no seu espanhol: “é uma pagela com a oração para os Cavaleiros de São Lázaro”.
Como Católico Apostólico Romano, receber uma pagela desta forma, é dizer que temos a mesmo linguagem, que respiramos o mesmo ar, que vivemos dentro dos mesmos princípios. O primeiro ato deste meu Amigo foi, recordar-me que o princípio de todos os Cavaleiros e Damas desta Ordem é a Oração, alimentando a nossa fé, e reforçando a capacidade de seguir o nosso compromisso com Deus.
 
Assim sendo, deixo-vos a oração que me foi entregue, traduzida para português:
 
Oração dos Cavaleiros de São Lázaro
 
Senhor Jesus, que pela tua imensa bondade e misericórdia nos chamas-te a conhecer-Te e a servir esta Milícia dos Cavaleiros Hospitalários de São Lázaro, recebe agora a expressão da nossa gratidão, perante as tuas graças.
Recorda-nos que a união entre nós na tua caridade, é o nosso desejo em servir-Te com uma rigorosa fidelidade aos nossos ideais de cavalaria Cristã.
Que a Santíssima Virgem, guardiã da Unidade da Fé, São Lázaro Teu Amigo e nosso Santo Patrono, que todos os Santos, confessores, Protetores da nossa Ordem e Irmãos da nossa Religião, obtenham toda a luz e a força, para que nunca faltemos aos deveres da nossa vocação e que a aceitemos com todo o coração.
Protege-nos do medo e da censura, e que estejamos sempre disponíveis para as boas obras.
Que a Unidade da Igreja, o apoio aos Cristãos orientais e em particular aos do Teu país, o Jesus, que os pobres leprosos, os doentes, os debilitados, os prisioneiros e que os abandonados sejam o objeto do nosso trabalho, das nossas preocupações, e que beneficiem dos nossos cuidados e da nossa caridade. Que assim seja.
 
Não posso terminar sem expor o link do facebook do maravilhoso trabalho que o Grão-Priorado de Espanha tem realizado através do seu movimento “TODA AYUDA ES POCA”:

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

INTERVENÇÃO DO GRÃO-PRIORADO DE PORTUGAL

Por motivos de segurança das crianças da instituição, só expomos imagens dos espaços físicos
Como temos vindo a enumerar nos últimos meses neste espaço informativo, o Grão-Priorado de Portugal, tem intervindo de forma ativa em várias instituições de apoio social, através de roupas e alimentos.
Obviamente que as carências sociais dos dias de hoje são imensas, tocando cada um dos nossos corações, no entanto todos os meses temos intervindo da forma ativa, dentro das nossas capacidades e meios, nas mais variadas instituições.
No mês passado, chegou-nos a informação de uma instituição que apoia crianças entre os 5 e 19 anos, a qual está sob a orientação do Padre Bernardo Queirós Alves.
É difícil imaginar a dor existente no coração de uma criança que veio a este mundo sem o aparo familiar, sem o aconchego de um simples abraço ou sorriso de uma mãe, de uma brincadeira do pai, etc. Espaços vazios que uma criança não deveria ter. 
Ontem, 18 de Outubro, fomos visitar esta instituição e entregar mais de 200 peças de roupa para estas crianças. A chegada de pessoas alheias ao espaço, fê-las de forma rápida aproximarem-se de nós sem hesitação. A primeira foi um criança de apenas 5 anos de idade que puxava com a sua mão uma jovem que deveria rondar os 14 anos. Essa criança de 5 anos, trazia um sorriso nos seus lábios, perguntando-nos logo quem eramos e o que trazíamos. Antes de explicar-mos o que ali estávamos a fazer, já a responsável explicava quem eramos.
Possuem um espaço lindíssimo, onde existe uma residência para 21 crianças sem família, rodeados por campos de cultivo plantados e tratados por eles mesmos, existindo ainda patos, galinhas, coelhos e uma lindíssima capela. Enquanto visitávamos as instalações, sentia-mos as crianças a correrem de um lado para o outro a observarmo-nos. A coordenadora do espaço explicou-nos de forma detalhada o funcionamento daquele espaço. Um grande projeto, e uma grande família.
Chama-se Centro de Solidariedade Cristã Maranatha, uma Associação de Solidariedade Social sem fins lucrativos e registada como IPSS.
Possuem dois lares para crianças e jovens em Grijo e Sermonde, onde exercem outras valências como resposta às solicitações provenientes das carências dos mais pobres ou das debilidades de uma sociedade que provoca desequilíbrios.
Esta instituição não diferencia as pessoas em virtude do seu credo ou ideologia, possuindo uma atitude ecuménica e de cooperação. Exercem a sua ação em cinco pontos fundamentais: lar de crianças e jovens, acolhimento e acompanhamento psicossocial, saúde/cultura/ecologia, solidariedade local e no campo espiritual.
Quem percorre este espaço de beleza natural e humana, encontra-se com recantos inspiradores, como a “Tenda do Encontro” (designação da Capela deste centro). O nome “Tenda do Encontro” encerra os objetivos que pretendem realizar na sua dimensão humana e Cristã. Edificaram a “Tenda” dos homens, para que seja partilhada por todos os residentes. Como escreveu o Padre fundador deste espaço “assim fez Deus ao montar a sua Tenda no nosso meio, pela Incarnação do seu Filho. Queremos estar no coração do Mundo escutando os gemidos e dores para os aliviarmos, pondo os coxos a andar e os cegos a ver, os mudos a falar e os abatidos a recuperar forças e sentido. É aí que queremos investir tudo o que temos e somos.”
A Tenda é um símbolo humano de grande riqueza. É a casa de um povo que caminha e se apresenta quando é preciso, bem junto da mãe terra.
A Tenda favorece a proximidade, convida à simplicidade e à partilha com a Natureza.
Na Bíblia é também um símbolo de presença de Deus no meio do povo que caminha rumo à liberdade (a Tenda que abriga a Arca da Aliança) e a Festa das Tendas, em que se louva o Senhor pelos Frutos da Terra (Lev. 23,33). “Ninguém aparecerá de mãos vazias diante do Senhor na festa das Tendas e cada um dará segundo as suas posses” (Deut. 16, 16).
A Tenda destina-se a fazer o encontro:
1- O Encontro consigo próprio na descoberta de todas as potencialidades, dos carismas que possui. Tenta criar o ambiente para fazer desabrochar e crescer o potencial de cada um ali presente;
2- O Encontro com o outro, na relação, na partilha, na aprendizagem do crescimento com os outros, criando um clima familiar, comunitário, na corresponsabilidade e na organização para a construção de um bem comum. Tudo em ordem na construção da fraternidade pelo Amor (1 Cor 12; 13);
3- Encontro com a Natureza, a terra. Dela tiramos a energia e o alimento, o ar puro que respiramos, a água fresca, límpida que corre das nascentes, a beleza que contemplamos e preenche o coração; as músicas do vento, os pássaros e os riachos que se juntam à voz dos animais. Toda a envolvência do espaço é expressa por estas sensações, tornando-se num encontro consigo mesmo, com os outros, com a Natureza, tendo no seu centro o encontro com Cristo.
Quem percorre os campos desta instituição, aproveitados ao centímetro para cultivo, rodeados por árvores que ainda deixavam passar uns raios de luz ao final da tarde, lembrando-nos da “Árvore da Vida e Sol”. Diz o livro do Génesis que a “Árvore da Vida estava no meio do jardim, assim como a árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gen. 2,9). Cristo vem conduzir o homem ao seu “primeiro amor” (Apoc. 2,2-4). A Árvore da Vida cortada rebenta das suas raízes.       
É esta luz que nos persegue de entre os ramos junto á Capela, é como nos diz S. João: “O Verbo era a luz verdadeira, que ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina” (Jo 1, 9-10). Jesus ao curar o cego de nascença deu-lhe a luz e ele passou a ver. A luz não é para brilhar, é para iluminar todas as coisas e as realidades que nos rodeiam. Mas há quem tenha medo da luz, porque ela também denuncia os que vivem no mal. Cristo é a luz da Páscoa, a luz fulgurante. Dentro de cada um de nós há uma luz que lhe alarga o horizonte e guia-nos no caminho da procura e do encontro.
No interior da Capela, revestida a pedra e madeira, possui no seu centro um altar rodeado de cadeiras onde as crianças se sentam e ouvem a palavra de Deus. Na sua entrada encontra-se uma pedra com água. A pedra simboliza Cristo, a Pedra Angular, a pedra básica que solidifica a construção. A casa edificada sobre pedra, tem uma garantia que não tem a que é construída sobre areia (Jo 28, 16; Act. 21, 42; Act. 4, 11-12; Cor. 3,11). A Pedro foi dito: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt. 16, 18). A água que se encontra nesta pedra, é a água que brota do coração de Cristo ao ser ferido pela lança do soldado (Jo 19, 34 e Jo 5,6), é a água que mata todas as sedes dos homens, aquela que Jesus deu à Samaritana junto do poço de Jacob (Jo 4, 10-15). É o próprio Jesus que nos diz: “Se alguém tem sede venha a mim e beba, pois do seu coração correm rios de água viva (Jo 7, 37). “E todos beberam do rochedo espiritual que os seguia e esse rochedo era Cristo” (1 Cor 10, 4 e Ap. 22,1).
A água por si é o elemento básico da vida para a terra, para a criança que no ventre materno está envolta em água, passando pelo batismo e a descida do Espirito. Na Bíblia é dos elementos mais ricos da mensagem Cristã.
Ao fundo da Capela existe uma lareira com um Cristo por cima. A descoberta do fogo provoca um salto civilizacional imenso. Na Bíblia é, como a água, um elemento fundamental da vida. Ele aparece no Antigo Testamento como elemento das relações de Deus com o seu povo. Javá manifesta-se a Abraão na forma de fogo no contexto de um diálogo pessoal (Gen. 15, 17) como na teofania de Sinai (Ez. 1) e do fogo devorador da impureza (Deut. 4, 24; 6, 15) e do bezerro de ouro.
Cristo batiza no Espirito Santo e no fogo (Mt 3, 11). É o mesmo fogo que ardia no Coração dos discípulos de Emaús no Encontro com o forasteiro, o Jesus Ressuscitado (Lc. 24, 32) e o mesmo que em Línguas de fogo desceu sobre os Apóstolos no Pentecostes. A energia, a cor e o calor que brota do fogo estabelecem a relação e o diálogo entre o humano e o divino.
Saindo da Capela, envolve-nos novamente a natureza, ao que esta instituição apelida de “Espaço Ecuménico”. Relembram que vivemos num Mundo sem fronteiras. Os muros foram caindo e é preciso que façamos cair os que ainda restam.
A Igreja é Universal e tem uma forte razão na sua riqueza: a partilha das diferenças. Como diz o Evangelho, Deus não faz aceção de pessoas e, como diz São Pedro: “já não há grego ou judeu, homem ou mulher, escravo ou homem livre, pois todos são um em Cristo Jesus”, (Gal. 3, 28; 1 Cor. 12, 13) e como diz São Paulo: “onde está o Espirito do Senhor, aí está a liberdade” (2 Cor 3, 17) Em Abraão, "Deus abençoou todas as nações" (Gen. 22, 18).
Santo Agostinho dizia: “Na essencial unidade, na opinável liberdade e em tudo caridade”. Eis um belo princípio para a unidade na diferença. Desde o Concílio Vaticano II que se têm repetido os esforços e gestos concretos de diálogo, de ecumenismo.
Os Cristãos que fazem parte desta Instituição, como os Cristãos que fazem parte deste Grão-Priorado, como os Cristãos do Mundo, são como o fermento, que se transforma para com humildade e serviço, levar a novidade da vida que o Evangelho propõe. Neste espirito terá como prioritário o serviço aos mais pobres, aos mais esquecidos, etc, buscando sempre o que mais nos une, e não o que nos separa.
Ter entregue estas mais de 200 peças de roupa a estas crianças, não é um prazer, é uma obrigação para todos os membros deste Grão-Priorado, que no momento em que se tornaram Lazaristas, juraram perante Deus e os seus Irmãos de Habito, que ingressam neste projeto para servir nesta nossa sociedade tão desequilibrada.
Termina-mos esta intervenção com as palavras do Padre fundador deste lindíssimo espaço de ação social e cívica: “Quero dizer às nossas crianças e jovens que os amamos mais do que fomos capazes de expressar e dizer”. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

ACADEMIA AFONSO XIII

Quando um Irmão Lazarista assume um cargo de suma importância internacional, é motivo mais que significativo para dar a conhecer através deste nosso espaço de noticias do Grão-Priorado, enchendo-nos de alegria e satisfação. Hoje é um desses motivos.
 
Tentar descrever neste nosso espaço de notícias o nosso Irmão Lazarista Don José María de Montells y Galán – Visconde de Portadei, torna-se uma tarefa dificílima pelo infindável e valoroso curriculum que possui, no entanto não podemos deixar de referir o valor humano e amigo que este nosso Irmão possui, tornando-se um exemplo para todos nós.

O Dr. José María de Montells y Galán, licenciado em história e doutorado em Ciências Empresariais, é o Presidente do Real Colégio Heráldico da Geórgia, Rei de Armas da Casa Real da Geórgia e do Grão-Priorado de Espanha da nossa Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém, Cavaleiro do Corpo de Nobreza do Principiado das Astúrias, Grã-Cruz das Ordens da Casa Real da Geórgia, entre muitas outras, não se pode esquecer o seu trabalho como poeta e escritor, com mais de três dezenas de publicações. E nessa matéria, é fundamental um agradecimento muito sincero de todos os Lazaristas a Don José María de Montells y Galán, que ao longo da sua vida se tem dedicado de forma intensa e dedicada a recuperar os séculos de história da nossa Ordem, deixando nos seus livros um marco patrimonial de suma importância para todos os Lazaristas.
No entanto o que nos leva a escrever estas linhas, é a eleição deste nosso Irmão Lazarista para Diretor da Ilustra Academia Afonso XIII, substituindo assim Don Juan Manuel Mitjans y Domecq - Duque de Santoña, que exercia essa dignidade desde 1993.
Don José María de Montells y Galán será acompanhado por uma equipa dinâmica e empreendedora, exercendo na função de Vice-Diretor Don Rafael Portell Pasamonte, como Secretário-Geral Don Alfredo Escudero y Díaz-Madroñero, como Bibliotecário Don Alfonso Ceballos-Escalera y Gila – Visconde de Ayala e Marquês da Floresta, como Censor Don Juan Van Halen y Acedo, como Tesoureiro Don Guillermo Torres-Muñoz y Osácar, e como Vogais Don José Luis Abad y Ruiz, Don Daniel García Riol, Don José Antonio Cadahía Casla, Don Enrique de Borbón y García-Lóbez e Don Juan de Ranea y García.
 
Como Irmãos Lazaristas, não podemos terminar estas palavras sem desejar os maiores votos de felicidade, tendo no entanto a convicção do sucesso desta equipa liderada por Don José María de Montells y Galán – Visconde de Portadei.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

PROTETOR ESPIRITUAL DA ORDEM, AGRADECE A SUA SANTIDADE O PAPA, PELO SEU "CHAMAMENTO DE PAZ"

Numa carta de 10 de Setembro, o Protetor Espiritual da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém, Sua Beatitude Gregorios III, escreveu a Sua Santidade o Papa Francisco, realçando e agradecendo o apelo que fez á oração pela paz na Síria e no Médio Oriente.
“Hoje unimo-nos em oração em todo o mundo, com pessoas de boa vontade e de todas as religiões … o chamamento á paz de Sua Santidade, demonstrou ao mundo a boa vontade de todas as religiões … o chamamento á paz de Sua Santidade, demonstra ao mundo a voz da paz do evangelho. Para aqueles que necessitam, para aqueles que não sabem e os que se negam a crer nesta convocatória, ficou demonstrado que a intervenção militar não é uma resposta para se solucionar a crise na Síria. A presente convocatória do Santo Padre, foi o ponto de partida para a mobilização internacional contra qualquer tentativa de resolver este conflito através da violência. (…) Estou profundamente comovido pela iniciativa de Sua Santidade que nos acompanha no caminho da paz. (…)"
HOMILIA DO SANTO PADRE
Praça de São Pedro
Sábado, 7 de Setembro de 2013
 
«Deus viu que isso era bom» (Gn 1,12.18.21.25). A narração bíblica da origem do mundo e da humanidade nos fala de Deus que olha a criação, quase a contemplando, e repete uma e outra vez: isso é bom. Isso, queridos irmãos e irmãs, nos permite entrar no coração de Deus e recebermos a sua mensagem que procede precisamente do seu íntimo.
Podemos nos perguntar: qual é o significado desta mensagem? O que diz esta mensagem para mim, para ti, para todos nós?
 
1. Simplesmente nos diz que o nosso mundo, no coração e na mente de Deus, é “casa de harmonia e de paz” e espaço onde todos podem encontrar o seu lugar e sentir-se “em casa”, porque é “isso é bom”. Toda a criação constitui um conjunto harmonioso, bom, mas os seres humanos em particular, criados à imagem e semelhança de Deus, formam uma única família, em que as relações estão marcadas por uma fraternidade real e não simplesmente de palavra: o outro e a outra são o irmão e a irmã que devemos amar, e a relação com Deus, que é amor, fidelidade, bondade, se reflete em todas as relações humanas e dá harmonia para toda a criação. O mundo de Deus é um mundo onde cada um se sente responsável pelo outro, pelo bem do outro. Esta noite, na reflexão, no jejum, na oração, cada um de nós, todos nós pensamos no profundo de nós mesmos: não é este o mundo que eu desejo? Não é este o mundo que todos levamos no coração? O mundo que queremos não é um mundo de harmonia e de paz, em nós mesmos, nas relações com os outros, nas famílias, nas cidades, nas e entre as nações? E a verdadeira liberdade para escolher entre os caminhos a serem percorridos neste mundo, não é precisamente aquela que está orientada pelo bem de todos e guiada pelo amor?
2. Mas perguntemo-nos agora: é este o mundo em que vivemos? A criação conserva a sua beleza que nos enche de admiração; ela continua a ser uma obra boa. Mas há também “violência, divisão, confronto, guerra”. Isto acontece quando o homem, vértice da criação, perde de vista o horizonte da bondade e da beleza, e se fecha no seu próprio egoísmo.
 
Quando o homem pensa só em si mesmo, nos seus próprios interesses e se coloca no centro, quando se deixa fascinar pelos ídolos do domínio e do poder, quando se coloca no lugar de Deus, então deteriora todas as relações, arruína tudo; e abre a porta à violência, à indiferença, ao conflito. É justamente isso o que nos quer explicar o trecho do Gênesis em que se narra o pecado do ser humano: o homem entra em conflito consigo mesmo, percebe que está nu e se esconde porque sente medo (Gn 3, 10); sente medo do olhar de Deus; acusa a mulher, aquela que é carne da sua carne (v. 12); quebra a harmonia com a criação, chega a levantar a mão contra o seu irmão para matá-lo. Podemos dizer que da harmonia se passa à desarmonia? Mas, podemos dizer isso: que da harmonia se passa à desarmonia? Não. Não existe a “desarmonia”: ou existe harmonia ou se cai no caos, onde há violência, desavença, confronto, medo...
 
É justamente nesse caos que Deus pergunta à consciência do homem: «Onde está o teu irmão Abel?». E Caim responde «Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9). Esta pergunta também se dirige a nós, assim que também a nós fará bem perguntar:
 
- Acaso sou o guarda do meu irmão? Sim, tu és o guarda do teu irmão! Ser pessoa significa sermos guardas uns dos outros! Contudo, quando se quebra a harmonia, se produz uma metamorfose: o irmão que devíamos guardar e amar se transforma em adversário a combater, a suprimir. Quanta violência surge a partir deste momento, quantos conflitos, quantas guerras marcaram a nossa história! Basta ver o sofrimento de tantos irmãos e irmãs. Não se trata de algo conjuntural, mas a verdade é esta: em toda violência e em toda guerra fazemos Caim renascer. Todos nós! E ainda hoje prolongamos esta história de confronto entre os irmãos, ainda hoje levantamos a mão contra quem é nosso irmão. Ainda hoje nos deixamos guiar pelos ídolos, pelo egoísmo, pelos nossos interesses; e esta atitude se faz mais aguda: aperfeiçoamos nossas armas, nossa consciência adormeceu, tornamos mais sutis as nossas razões para nos justificar. Como fosse uma coisa normal, continuamos a semear destruição, dor, morte! A violência e a guerra trazem somente morte, falam de morte! A violência e a guerra têm a linguagem da morte!
Depois do Dilúvio, cessou a chuva, surge o arco-íris e a pomba traz um ramo de oliveira. Penso também hoje naquela oliveira que os representantes das diversas religiões plantamos em Buenos Aires, na Praça de Maio, no ano 2000, pedindo que não haja mais caos, pedindo que não haja mais guerra, pedindo paz.
3. E neste ponto, me pergunto: É possível percorrer o caminho da paz? Podemos sair desta espiral de dor e de morte? Podemos aprender de novo a caminhar e percorrer o caminho da paz? Invocando a ajuda de Deus, sob o olhar materno da  Salus Populi romani, Rainha da paz, quero responder: Sim, é possível para todos! Esta noite queria que de todos os cantos da terra gritássemos: Sim, é possível para todos! E mais ainda, queria que cada um de nós, desde o menor até o maior, inclusive aqueles que estão chamados a governar as nações, respondesse: - Sim queremos! A minha fé cristã me leva a olhar para a Cruz. Como eu queria que, por um momento, todos os homens e mulheres de boa vontade olhassem para a Cruz! Na cruz podemos ver a resposta de Deus: ali à violência não se respondeu com violência, à morte não se respondeu com a linguagem da morte. No silêncio da Cruz se cala o fragor das armas e fala a linguagem da reconciliação, do perdão, do diálogo, da paz. Queria pedir ao Senhor, nesta noite, que nós cristãos e os irmãos de outras religiões, todos os homens e mulheres de boa vontade gritassem com força: a violência e a guerra nunca são o caminho da paz! Que cada um olhe dentro da própria consciência e escute a palavra que diz: sai dos teus interesses que atrofiam o teu coração, supera a indiferença para com o outro que torna o teu coração insensível, vence as tuas razões de morte e abre-te ao diálogo, à reconciliação: olha a dor do teu irmão – penso nas crianças: somente nelas... olha a dor do teu irmão, e não acrescentes mais dor, segura a tua mão, reconstrói a harmonia perdida; e isso não com o confronto, mas com o encontro! Que acabe o barulho das armas! A guerra sempre significa o fracasso da paz, é sempre uma derrota para a humanidade. Ressoem mais uma vez as palavras de Paulo VI: «Nunca mais uns contra os outros, não mais, nunca mais... Nunca mais a guerra, nunca mais a guerra! (Discurso às Nações Unidas, 4 de outubro de 1965: ASS 57 [1965], 881). «A paz se afirma somente com a paz; e a paz não separada dos deveres da justiça, mas alimentada pelo próprio sacrifício, pela clemência, pela misericórdia, pela caridade» (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, de 1976: ASS 67 [1975], 671). Irmãos e irmãs, perdão, diálogo, reconciliação são as palavras da paz: na amada nação síria, no Oriente Médio, em todo o mundo! Rezemos, nesta noite, pela reconciliação e pela paz, e nos tornemos todos, em todos os ambientes, em homens e mulheres de reconciliação e de paz. Assim seja.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

PEDIDO DO SANTO PADRE

Caros Irmãos em Lázaro, recordemos o pedido do nosso Santo Padre para o dia de amanhã:
 
"…por isso irmãos e irmãs, decidi convocar toda a Igreja para no próximo dia 7 de Setembro, véspera da natividade de Maria, Rainha da Paz, façam um dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Médio Oriente e no mundo inteiro…”
 
Juntemo-nos ao Santo Padre e a todos os homens e mulheres de Fé, para que a palavra “Paz”, seja a palavra do futuro.
 
A Chancelaria

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

GREGÓRIO III (PATRIARCA CATÓLICO) “UM ATAQUE SERIA O NOSSO FIM!”

O nosso Protetor Espiritual Gregório III (Patriarca Católico), proferiu algumas declarações ao “paginasdigital.es”, sobre o conflito na síria.
 
"Nunca mais a guerra! Nunca mais a guerra!”. Foi assim que o Papa Francisco escreveu no Twitter, enquanto o Monsenhor Mario Toso, responsável do departamento de Justiça e Paz do Vaticano dizia: ”O caminho para resolver os problemas da Síria não pode ser com uma intervenção armada. A violência não diminuirá. E corremos o risco que se estenda a outros países. O conflito na Síria, contem todos os ingredientes para despoletar uma guerra de dimensões mundiais”. Foi um chamamento que não foi escutado além dos Alpes, onde o Jean-Mrc Ayrault anunciou que apresentará ao Parlamento os documentos confidenciais dos serviços secretos, que demonstram a responsabilidade de Assad no uso de armas químicas contra civis. Para o Patriarca Católico de Antioquia com sede em Damasco, Gregório III Laham “á já dois anos que a Síria está atravessar uma tragedia humanitária sem fim: quase 100 mil vítimas, dois milhões de crianças sem casa, 450 mil Cristão exilados, 8 milhões de refugiados. O país encontra-se num inferno e uma intervenção do ocidente, vai empolar a situação”.
 
Que pensa da opção militar de Barack Obama?
 
Estou completamente em desacordo, como me oponho a qualquer violência, a qualquer uso de armas ou qualquer conflito. Não posso fazer nada mais que unir-me ao Santo Padre que declarou “Nunca mais a guerra!”. A europa poderia fazer mais para resolver os problemas da Palestina, em alternativa á criação de mais desordem na Síria.
Que acontecerá se Obama puser em marcha os seus planos?
 
Haverá mais vitimas e teremos uma guerra regional que envolverá o Líbano, onde existe um milhão de refugiados sírios. Já para não falar dos massacres dos Cristãos árabes, que hoje em Amman será um dos temas levado ao congresso que contará com a presença do Rei da Jordânia, Abdallah II. Também recentemente no Irak existiram vários atentados. Em resumo, todo o Medio Oriente encontra-se em chamas e será transformado num inferno.
O Papa propôs um dia de jejum no dia 7 de Setembro. Como vê esta iniciativa?
 
É uma magnífica iniciativa. O meu Patriarcado está a preparar uma carta aos fiéis Greco-Católicos de todo o mundo a pedir que participem na oração e no jejum organizado pelo Papa. Todas as Igrejas da Síria estão chamadas a unir todos os seus esforços para acolher todos os seus fieis desde a 19h, para que possam rezar e cantar pela paz."

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

LAZARISTAS PRETENDEM CONSTRUIR CENTRO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM KERELA (INDIA)

A Delegação da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém no Liechtenstein pretende construir um centro de formação profissional com produção integrada, de acordo com a norma europeia, depois de uma fase-piloto de três anos em Kerala (Índia)
A Confederação Suíça tem já no norte da Índia um centro de formação, em colaboração com um grupo de engenharia da suíça, nas áreas da indústria elétrica e do metal.
Esta iniciativa Lazarista, tem também como objetivo valorizar o conhecimento da população na área da educação e ensino qualificado, cumprindo as exigências do modelo europeu. Será um investimento nos próximos sete anos de cinco milhões e meio de euros e cerca de setecentos anuais, calculando que a partir do oitavo ano seja autossustentável.

HUNGRIA – DONATIVO PARA O CENTRO CHILDCARE NA GYőR-MÉNFőCSANAK

Foi no passado dia 23 de Agosto que os nossos Irmãos Lazaristas da Hungria, visitaram o Childcare Center in Ménfőcsanak.
No final da visita, entregaram um donativo no valor de HUF 50,000, com o objetivo de apoiarem as crianças que vivem naquele centro.
Este encontro entre os Lazaristas Húngaros e as crianças daquele Centro, foram marcados pela profunda interação entre as crianças e a comitiva, determinado que mais visitas se devem concretizar ao longo do ano.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

OBITUÁRIO

Fomos todos surpreendidos, ao saber do falecimento de D. Francisco Manuel de las Heras y Borrero – Barão de Las Heras, um dos grandes divulgadores no seu blog Doce Linajes de Soria, sobre as iniciativas da nossa Ordem de São Lázaro.
Recorremos às palavas do nosso querido e muito amigo Lazarista D. Jose Maria Montells – Visconde de Portadei e Rei d´Armas do Grão-Priorado de Espanha da Ordem de São Lázaro, para recordar este Amigo (traduzido para português):
GRITO POR UM AMIGO

Algum tempo atrás escrevi algumas palavras no blog da “Cruz de Sinople”, dirigidas ao meu querido irmão lazarista Manuel Alvarez de Ron, sobre a natureza da minha doença, e o respeito que tenho à visita do “Parca”. Um cancro não é uma banalidade; e estou em pleno tratamento de radioterapia, com um positivo diagnóstico, ao qual os médicos me animam.
Considero que estamos nas mãos de Deus e que Ele nos orienta, mas jamais me tinha passado pela minha imaginação que a morte chegaria antes de mim, ao meu grande amigo Francisco Manuel de las Heras y Borrero. Quando recebi a notícia, mal podia acreditar e imediatamente fiquei com os olhos em lágrimas.
Francisco Manuel era um homem cheio de vida e de projetos, um cavaleiro em toda a ascensão da palavra, um excelente escritor que, não sendo Lazarista, tinha colaborado com a Atavis et Armis desde o início da publicação da nossa revista, com vários artigos de grande interesse e profundidade, os quais estão na memória de todos. Era Doutorado em Direito, Vice Representante da União Europeia no Uganda, Cavaleiro da Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém, da Soberana Ordem de Malta, Cavaleiro da Ordem Constantiniana de São Jorge, Infanzón de Illescas, Senhor de Tejada, entre muitas outras entidades. De las Heras era um autor exigente, e eu publiquei-lhe em 1994, a sua obra ainda bem viva na memória de todos, “Apuntes sobre instituciones nobiliarias en España”, um trabalho exaustivo sobre as corporações cavaleirescas da nossa Pátria, a qual tem um grande valor académico. Muito mais tarde, em 2010, fiz o prologo do seu livro sobre Carlos Hugo, publicado pelo Colégio Heráldico de Espanha e das Índias. Uma outra grande obra por si publicada foi, “Un pretendiente desconocido: Carlos de Habsburgo, el otro candidato de Franco”, que me fez sentir num retorno ao primordial conhecimento do nosso tradicionalismo histórico. A sua grande criação foi a recuperação e refundação da Casa Troncal de los Doce Linajes de Soria (na qual exercia atualmente a dignidade de «Presidente de su Diputación»), uma corporação cavaleiresca que em muito pouco tempo conseguiu o reconhecimento nobiliárquico mundial.
Faleceu a 30 de Agosto em Sevilha, recém-chegado de Kampala, onde residia por razões profissionais. A morte, foi muito enganadora ao conseguir passar por um despiste, disfarçando os sintomas da malária até ao momento que já era tarde demais. Roguei a Deus Nosso Senhor que o acolha no seu seio e com toda a Sua bondade. E envio ás suas filhas e esposa MaryLoli um beijo emocionado. Deus o tenha na Sua Glória.”     
 
O Grão-Priorado de Portugal apresenta publicamente os seus sentimentos, e solicita a todos os Cavaleiros e Damas do Priorado, assim como aos restantes leitores, que se recordem nas suas orações deste nosso grande Amigo.